Esse livro consegue fazer você sentir o que o escritor sentiu durante a história pessoal dele com a doutrina calvinista: A sensação de surpresa e choque devido ao primeiro contato, a vontade de conhecer mais o ensino bíblico sustentado por um contexto "egoísta gospel" que cercava o escritor.
Alías, já que mencionei isso, penso que é melhor explicar melhor o que quero dizer com " contexto egoísta gospel que cercava o escritor".
Austin Fischer ( o autor) diz que a realidade que ele viveu quando era recem convertido não era tão diferente da realidade que cerca os cristãos hoje: Muitas das vezes, quando nos reunimos nos templos, o que vemos é nada mais do que alguém usando a Bíblia para massagear os nossos egos machucados; Muitas vezes é pregado, repetidamente, que Deus dará a vitória, e que esse sonho que temos Deus quer muito realizar, e que nossa oração pode mover o Criador do Universo.
Fischer trata de maneira direta esses pontos que são noscívos a fé cristã, como ele mesmo deixa claro ao decorrer do livro.
Esse é o contexto de "egoísmo gospel" que eu disse que cercava Fischer, e que acabou incentivando-o a se achegar a doutrina calvinista. Veja, não sou eu que estou dizendo que o péssimo contexto doutrinário levou o escritor do livro em questão para o calvinismo. Não sou eu mesmo, mas o próprio Fischer que confessa isso, pois segundo ele, é o que acontece com muitos cristãos hoje em dia: Eles começam a perceber que o calvinimo da um foco muito grande para a glória de Deus, e não humana, e essas pessoas começam a questionar os seus "egoísmos gospel", e muitas acabam virando calvinistas por acreditarem que essa visão expressa bem o que a Bíblia realmente diz.
Na minha opinião, penso que Austin não esta errado ( agora sim sou eu dizendo), ainda mais porque o jeito que ele descreve o contexto das coisas que ele viveu e viu sobre esse "egóismo gospel" todo torna impossível para nós não lembrarmos de muitos absurdos que vemos por ai sobre o que a Bíblia "ensina" segundo alguns "Mestres". E querendo ou não, o calvinismo acaba sim, ensinando que a glória toda é de Deus, e de Deus somente, e que devemos valorizar o estudo das Escrituras.
Porém Austin acaba apontando críticas que penso que são muito válidas em relação ao calvinismo. Não vou dizer tudo, se não estrago sua experiência com o livro, mas uma linha de pensamento que ele segue ( e achei muito pertinente) é que o calvinismo pode ser sim, pregado em frente aos portões de Auschwitz, pois, mesmo que Deus cause o mal de maneira direta, ele assim faz para que a glória dele seja conhecida, e para que no final de tudo a alegria compense toda a dor que já existiu; Porém, o calvinismo não pode ser pregado nos portões do inferno, onde existe o choro dos réprobos ( aqueles que Deus condenou a irem para lá, pelos pecados que ele mesmo, Deus, predestinou para eles), pois isso é no mínimo incoerente, já que Jesus chora por Jerusalém por ela ter rejeitado a ele, e também pelo fato de Jesus na cruz rogar ao Pai que aqueles que o crucificaram fossem perdoados. Segundo Fischer, ver esses sentimentos genuínos em Jesus ( e uma ótima explicação que ele da no último capítulo sobre Romanos 9,10 e 11) mostra que já que Deus não ignora o sofrimento das pessoas que o rejeitam, nós não temos o direito de não pensar nos réprobos, e também devemos seriamente repensar se nossa conduta realmente está parecida com aquele que é a imagem perfeita de Deus, a saber Jesus Cristo, aquele que genuinamente deseja que todos sejam salvos.

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